Sobre a História de Florianópolis: Índios Tupis Guaranis na Ilha da Magia

Ilha de Santa Catarina antes de virar Florianópolis, antes de virar Floripa… 🙂

Dança Indigena

Em outro post falei a respeito da importância de conhecer a história de Florianópolis, pois continuando o assunto pesquisar essa história no Google é um pouco complicado, praticamente 99,99% dos links encontrados são referentes ao turismo, hotéis, restaurantes, pousadas, etc…

O pouco que encontrei de informações foram no site da Prefeitura Municipal e claro, na Wikipedia. A respeito dos primeiros relatos históricos da ilha de Santa Catarina a Prefeitura nos relata:

Os primeiros habitantes da região de Florianópolis foram os índios tupis-guaranis. Praticavam a agricultura, mas tinham na pesca e coleta de moluscos as atividades básicas para sua subsistência.

Os indícios de sua presença encontram-se nos sambaquis e sítios arqueológicos cujos registros mais antigos datam de 4.800 A.C.

Falando em assuntos indígenas, logo que me mudei para cá, notei alguns nomes que só por escutá-los já suspeitava que tinham essa herança dos primeiros habitantes do Brasil. Leia a seguir um trecho do relato a respeito do assunto por Milton Moreira Wherá Mirim; Cacique da aldeia dos índios guarani Mbyá de São Miguel, Biguaçu, Santa Catarina:

Qual a origem dos nomes “Cacupé”, “Pirajubaé”, “Itacorubi” e “Moçambique”, bairros e praia respectivamente da atual Florianópolis?

Desconheço a tradução dos nomes desses lugares da ilha de Santa Catarina em livros históricos de autores catarinenses. Não sei se alguém já apresentou alguma tradução a respeito desses nomes. A tradução que apresento neste breve artigo, que pode ser diferente a de outros autores, vem de uma fonte fidedigna: os índios guarani mbyá, da aldeia de São Miguel, em Biguaçu.

Esses índios se dizem descendentes dos “carijós”, os antigos habitantes da ilha de Santa Catarina. Os “carijós” foram quase totalmente exterminados por doenças e escravidão pelos “bandeirantes”, nos séculos XVI e XVII.

Vale lembrar que o nome “carijó” era dado aos guaranis que viviam no litoral catarinense pelos bandeirantes, os temíveis caçadores de índios vindos de São Paulo. “Carijó” (cari-ió) deriva de “cari”, que significa “branco”, em alusão à pele mais esbranquiçada dos nativos catarinenses. Os índios chamavam a si mesmos de “avá” ou “abá”, cuja tradução é “gente”. Já os “bandeirantes” eram conhecidos pelos nativos por “tapuya” (bárbaros).

Conforme os guarani de Biguaçu, seus antepassados que habitavam a ilha de Santa Catarina pertenciam a dois grupos distintos chamados “Chiripá” (escuros) e “Phaim” (claros). Originários do atual Paraguai, migraram rumo ao litoral catarinense séculos antes da chegada dos europeus. Em função dos casamentos interétnicos entre os dois grupos falantes de dialetos guaranis mutualmente compreensíveis, surgiu o povo indígena nativo da ilha que os colonizadores brancos encontraram nos séculos XVI e XVII.

Segundo os guarani mbyá de Biguaçu, “Cacupé” era uma grande aldeia onde residiam caciques, curandeiros, conselheiros, músicos e caçadores. Vem de “Tekuá guassú Há Há Kupé”, que significa “Terra Grande do Pé de Erva Mate”. Já “Pirajubaé”, outra aldeia, vem de “Pirá’Jumboaié” (Outro tipo de peixe amarelo). Reporta-se à abundância no local de um tipo de peixe amarelo que os antigos índios carijós conheciam por “Pirá’Jumboaié”.

“Itacorubi” é a pronuncia aportuguesada de “Itakuru-í”, uma espécie de passarinho. O pássaro é o “itakurú”. O “í” significa “pequeno” no idioma guarani. Portanto, “itakuru-í” significa “itakuru pequeno”, um passarinho, segundo os guarani mbyá, existente em abudância próximo à antiga aldeia que passou a ser conhecida por esse nome.

Já a praia de “Mossambique” não tem nada a ver, segundo os índios, com o país “Mossambique”, da costa oriental da África. O nome vem de “Mossamby”, que significa “cemitério”. Segundo os guarani de Biguaçu, “Mossamby” era uma pequena ilhota próxima à costa da ilha de Santa Catarina onde os índios executavam seus deliquentes. Sim, os carijós aplicavam a pena de morte, contam os guarani de Biguaçu. Consistia-se no enforcamento do condenado numa árvore na ilhota do “Mossamby”.

Onde está hoje essa ilhota? Segundo os índios de Biguaçu, a ilhota de Mossamby, que ficava quase encostada à ilha de Santa Catarina, já não existe mais. O pequeno estreito que a separava da ilha de Santa Catarina está hoje ligado por aterro surgido pela erosão, provavelmente pelo desmatamento da costa durante os últimos séculos. Acreditam os índios que a ilha fica perto da atual praia de Mossambique. Daí à alusão ao nome pelo qual o lugar passou a ser conhecido.

A ilha de Mossamby era tida como maldita por causa da proliferação de espíritos ruins, certamente almas penadas dos executados. O interessante é que hoje a praia de Mossambique volta e meia é percorrida à noite por pessoas que querem ver discos voadores. Não seriam “espíritos voadores”?

[…]

Fonte: “Contando a História do Guarani Nato da Região da Grande Florianópolis […]”

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6 Responses to Sobre a História de Florianópolis: Índios Tupis Guaranis na Ilha da Magia

  1. amanda says:

    Floriano Peixoto trocou o nome da ilha nossa senhora do testerro para Ilha de FLORIANOpolis

  2. Mariana says:

    Q bom q achei este conteudoo
    pelo menos o unico da net sobre o assunto q procuro…
    obrigada por postar!

  3. geni says:

    Obrigada pela ótima explicação e “aula de história”
    sobre Floripa!

  4. Olá,
    Possivelmente o nome “pirajubaé” sofreu modificação, pois os mapas antigos da Ilha nomeavam a vila de “Pregibaé”. Partindo do principio de que os portugueses e espenhóis transliteravam a expressão falada pelos indígenas, é provável que o nome original seja de fato “Pregibaé” assim como Jurerê-mirim e Meiembipe.

  5. NILTON SANT ANA says:

    Exterminar populações nativas para ocupar seus territórios é uma tradição brasileira. Começou no ano de 1500, quando o explorador português desembarcou da caravela e avistou no litoral da Bahia índios que habitavam há séculos as terras anunciadas como recém-descobertas. Apesar de hoje ser homenageado por monumentos e por nomes de ruas devido a épicas jornadas em que ele atravessou grandes extensões do território brasileiro, o bandeirante foi antes de tudo um genocida. Entrava nos sertões à frente de uma comitiva armada e buscava populações indígenas. Ao encontrá-las, destruía aldeias, trucidava homens, mulheres e crianças indistintamente e aprisionava os sobreviventes para vendê-los como escravos aos engenhos de cana-de-açúcar. A indiferença ao extermínio dos povos originários foi amparada na Doutrina da Guerra Justa, utilizada pelo conquistador para banalizar a morte dos pagãos resistentes à chegada do progresso. Pagãos, gentios bárbaros ou infiéis eram chamados todos os povos que não compartilhavam com o colonizador idioma, religião e costumes e chegada do progresso significava a ocupação de suas terras pelo estrangeiro invasor. A História do Brasil precisa ser revista para revelar interpretações mais verossímeis do que as apresentadas nos livros didáticos, omissos em relação à política genocida praticada pelo Estado Brasileiro contra os povos originários. Índios avistados nos semáforos das cidades brasileiras, pedindo esmolas para garantir a sobrevivência, provam que a tradição continua, porém com versão atualizada. Chegada do progresso significa, hoje, expulsar populações indígenas de suas terras, derrubar a floresta e implantar nelas atividades altamente lucrativas que destroem o meio ambiente e desestruturam a organização social indígena. Quem lucra com a mineração à base de mercúrio que contamina rios e lagos onde os índios pescam e bebem; com o comércio clandestino de madeira e carvão que reduz florestas inteiras a montes de toras e brasas; com a plantação extensiva de milho e soja que abusa dos agrotóxicos e torna o Brasil o maior consumidor de venenos do planeta, e com os projetos de usinas hidrelétricas que são construídas sem respeitar estudos de impacto ambiental e social ?
    http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2013-09-25/construcao-de-rodovias-no-governo-militar-matou-cerca-de-8-mil-indios.html

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